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Predefinição:Info/Monarca Hugo Capeto (93824 de Outubro de 996) foi rei dos francos de 987 a 996, o fundador da dinastia capetiana. Era filho de Hugo, o Grande, duque dos francos, e de Hedwige, ou Avoia, da Saxónia, filha de Henrique I da Saxónia, rei da Germânia.

Em 987, Hugo Capeto, então duque dos francos, tornou Paris na principal cidade do país e o poderio do ducado estendeu-se gradativamente a toda a França, durante o período de lutas civis que acompanhou as três primeiras Cruzadas. Homem de grandes virtudes administrativas, não granjeou o poder por simpatias, mas sim por astúcia, força e o suborno.

O cognomeEditar

Existem várias hipóteses para explicar o cognome Capeto, que serviu para distinguir Hugo do seu pai. A etimologia popular segue a explicação de ser o rei da capa (chappet), uma vez que antes de ser rei já era abade, e os abades da época usavam uma capa característica (em português: capelo, que por motivos semelhantes foi o cognome do rei Sancho II de Portugal).

Outras etimologias derivam dos termos para chefe (caput), zombador (capetus) ou cabeça grande (capillo).[1] Pensa-se também que o cognome do seu pai foi atribuído depois da sua morte, a partir do latim Hugo Magnus, Hugo o Velho, sendo o seu filho Hugo o Novo, e podendo Capeto ser uma invenção do século XII.[2]

Ascensão ao poderEditar

Hugo Capeto era sobrinho-neto e neto, respectivamente, dos carolíngios Odo de Paris e Roberto I, os dois únicos reis dos francos eleitos. O seu sétimo avô por parte de sua avó Beatriz de Vermandois era Carlos Magno. Hugo pertencia então a uma família poderosa e com muitas ligações à nobreza reinante da Europa.[3]

Mas apesar disso, o seu pai nunca chegou a rei. Quando Raul I de França morreu em 936, Hugo Magno organizou o regresso de Luís de Ultramar, filho de Carlos III de França, do seu exílio na corte de Athelstane de Inglaterra. Não se sabe ao certo os seus motivos, mas presume-se que agiu para evitar que o trono francês fosse atribuído a outros pretendentes: Hugo o Preto, o irmão de Raul e seu sucessor no ducado da Borgonha; Herberto II de Vermandois; e Guilherme I, duque da Normandia e conde de Ruão.[2][4]

Arquivo:843-870 Europe.jpg

Quando seu pai, Hugo, o Grande, morreu em 16 de Junho de 956, Hugo Capeto, o mais velho de seus três filhos varões, era ainda menor. Foi colocado, juntamente com os seus dois irmãos, sob a tutela do seu tio materno, Bruno, duque de Lorena e arcebispo de Colónia.

Herdeiro do seu pai, e por isso um dos mais poderosos nobres do reino, tornou-se conde d'Orleães e abade laico das abadias de São Martinho de Tours, Saint-Germain-des-Prés e Saint-Denis. Em 960, o rei Lotário de França concedeu-lhe os títulos que o seu pai detivera: duque dos francos e marquês de Nêustria. Era o nobre mais rico de seu tempo.

Os nobres dos territórios vizinhos aos de Hugo aproveitaram a oportunidade da sua menoridade. Teobaldo I de Blois, um antigo vassalo de Hugo Magno, tomou os territórios de Chartres e Châteaudun. Mais a sul, na fronteira do reino, Fulque II de Anjou, outro antigo cliente de o Grande, construiu um principado à custa de Hugo e da Bretanha.[4]

O reino em que Hugo viveu era bastante diferente da França actual. Os seus predecessores não se intitulavam reis de França, esse título só começaria a ser usado por Filipe o Belo (1285-1314). O reis usavam sim o título de rex Francorum (Rei dos Francos) e as terras que governavam eram apenas uma pequena parte do antigo Império Carolíngio.

As terras francas do leste, o Sacro Império Romano-Germânico, eram governadas pela dinastia otoniana, representada por Oto II, primo de Hugo, e depois pelo seu filho Oto III. As terras a sul do rio Loire tinham deixado de pertencer à Frância ocidental depois da deposição de Carlos III o Simples em 922. Os ducados da Normandia e da Borgonha eram na sua maioria independentes, apesar de desde 956 este último ser governado pelos irmãos de Hugo, Odo de Paris e Henrique, e a Bretanha era completamente independente.[2][3][5]

De 978 a 986, Capeto aliou-se aos imperadores germânicos Oto II e Oto III e com o arcebispo Adalbarão de Reims para dominar o fraco rei Lotário. Já em 986, era na prática rei, apesar de não oficialmente.

CoroaçãoEditar

Arquivo:Chevet et bibliothèque de la cathédrale de Noyon.JPG

O filho de Lotário, Luís V morreu subitamente em Maio de 987 sem deixar descendência. O seu parente mais próximo era Carlos da Baixa-Lotaríngia, seu tio, que não havia se associado ao reinado de seu irmão Lotário.

A 1 de Junho de 987, a alta nobreza do reino reuniu-se para discutir a sucessão do trono da França em Senlis. Adalbarão de Reims, que tinha previamente sido acusado de traição pelos reis Lotário e Luís V, fez um discurso em desfavor de Carlos da Baixa-Lotaríngia e jurou em favor da candidatura de Hugo, duque dos francos, da linhagem dos robertianos (um ramo dos carolíngios).

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Influenciados pelo este, os aristocratas elegeram então Hugo, que foi coroado por Adalbarão pouco depois, no domingo de 3 de Julho de 987, na catedral de Noyon.

Capeto inaugurou a linhagem dos capetíngios, que duraria oito séculos, até 10 de Agosto de 1792, apesar de a dinastia capetiana directa ter sido interrompida em 1328, com a morte de Carlos IV de França.

ReinadoEditar

Imediatamente após a sua própria coroação, Hugo começou a fazer pressão para coroar também o seu filho Roberto, o que aconteceria pouco tempo depois, a 30 de Dezembro de 987. Para este efeito, argumentava que era importante para a estabilidade do reino haver um segundo rei, para o caso de ele mesmo morrer em uma expedição que estava a planear contra os mouros que atacavam Borell II, conde de Barcelona, invasão que nunca chegou a realizar-se.

Arquivo:France.Xe.siecle.png

O cronista Rudolfo Glaber atribui esta solicitação de Hugo à idade avançada em que se encontrava e à sua incapacidade de controlar a nobreza. No entanto, historiadores modernos tendem a dar mais importância à vontade de o velho rei garantir o direito de Roberto à successão e estabelecer uma dinastia, em oposição ao poder de a aristocracia eleger um novo rei. Na generalidade, os cronistas da época não parecem sustentar última esta teoria, e as dúvidas sobre as reais intenções de Hugo querer fazer ou não uma campanha na Península Ibérica mantêm-se até hoje.[7] Até Filipe II de França, seria a regra da progenitura que se imporia, mas conservando-se a eleição pelos aristocratas.

Hugo Capeto possuía pequenas propriedades perto de Chartres e Anjou. Entre Paris e Orleães, possuía vilas e propriedades que somavam um total de aproximadamente 1.000 km². Sua autoridade acabava aí, e se viajasse fora dessa pequena área, poderia ser capturado ou feito refém. Um assassinato era menos provável, por ter sido ungido por Deus como rei, mas não completamente fora de questão. De facto, em 993 houve um plano urdido pelo bispo de Laon e por Odo I de Blois para capturar Hugo Capeto para Oto III da Germânia. O plano falhou, mas o fato que ninguém foi punido ilustra as limitações do seu poder.

Para além de sua base de poder, no restante da França, havia ainda muitos códigos de lei e campesinatos. O "país" operava com 150 moedas diferentes e pelo menos doze línguas. Unir esse todo em algo coerente era uma tarefa formidável e uma luta constante entre aqueles que carregavam a coroa da França e seus senhores feudais. Como tal, o reinado de Hugo Capeto foi marcado por várias disputas pelo poder com vassalos às margens dos rios Sena e Loire.

Embora o poder de Hugo Capeto fosse limitado,[8] e de ter dependido da ajuda militar de Ricardo I da Normandia, a sua eleição unânime como rei deu-lhe grande autoridade moral e influência.

Conflito com o papadoEditar

Arquivo:Domenico Quaglio (1787 - 1837), Die Kathedrale von Reims.jpg

Antes de morrer, o arcebispo Adalbarão de Reims deixou claro que pretendia ser sucedido por Gerbert d'Aurillac, mas em 998 Hugo aceitou a eleição do sobrinho do seu rival Carlos da Baixa-Lotaríngia, Arnulfo, para a posição. Não se sabe ao certo se com a ajuda ou a oposição do seu sobrinho, Carlos conseguiu então tomar Reims e Laon.

Arquivo:Silvester II.JPG

Hugo considerou Arnulfo um traidor e exigiu a sua deposição ao papa João XV. Mas ainda antes de receber mensagem do papa, Capeto capturou tio e sobrinho, e convocou um sínodo em Reims em Junho de 991, que obedientemente depôs Arnulfo e escolheu Gerbert d'Aurillac como seu sucessor.

Estas acções foram repudiadas pelo papado, apesar de um segundo sínodo ratificar as decisões do primeiro. João XV convocou os bispos franceses para um sínodo independente, fora dos domínios de Hugo, em Aachen, para reconsiderarem. Quando estes se recusaram, o papa convocou-os a Roma, mas estes protestaram a decisão, alegando insegurança no caminho e na cidade papal.

João XV enviou então um legado papal com instruções para convocar um concílio de bispos franceses e alemães em Mousson, ao qual apenas os segundos compareceram, tendo os primeiros sido impedidos por Hugo e Roberto. Depois de um grande esforço do legado, a deposição de Arnulfo acabou por ser declarada ilegal. Depois da morte do rei, seria libertado do cativeiro e reinvestido de todas as suas dignidades, tendo inclusivamente coroado Hugo, o filho mais velho de Roberto II de França, na tradição dos primeiros reis capetianos de coroar o herdeiro ainda durante o reinado do pai.

Morte e posteridadeEditar

Doente de varíola, Hugo morreu em um sábado, 24 de Outubro de 996, com 55 anos de idade, no castelo de Juifs (ou Juy ou Juees), em Beauce, perto de Prasville, entre Chartres e Orleães.

Arquivo:Paris in 9 century.jpg

Em 1987, no milenário da coroação, pesquisas permitiram localizar um oppidum medieval em plena zona rural. Fotografias tiradas de avião confirmaram a presença no local de um antigo castelo feudal circundado por um sofisticado sistema de defesa. Em escavações, os pesquisadores encontraram importantes peças que comprovam que o local foi habitado do século I ao século XIII. Em 1996 foi colocada uma placa comemorativa no local, que se tornou numa etapa dos circuitos histórico-turísticos organizados pelo Castelo de Beauce.[9]

Sepultado na Basílica de Saint-Denis, foi sucedido pelo seu filho Roberto II de França.

A maioria dos historiadores considera a coroação de Hugo Capeto como o início da França moderna porque, como conde de Paris, fez desta cidade o seu centro de poder, e iniciou o longo processo de exercer o controlo do resto do país a partir desta capital.

Foi também o fundador da dinastia capetiana. Os capetianos directos, ou a Casa de Capeto, governaram a França de 987 a 1328. Depois, o reino foi regido por ramos colaterais da dinastia. Todos os reis franceses até Luís Filipe, e os pretendentes ao trono desde então, foram membros dessa família (excluindo a Casa de Bonaparte, imperadores e não reis). Dom Pedro I e Dom Pedro II, ambos Imperadores do Brasil, eram descendentes em linha masculina direta de Hugo Capeto, e portanto, faziam parte também da dinastia capetiana.

Hoje em dia, esta dinastia ainda faz parte da árvore genealógica do reino da Espanha e do ducado do Luxemburgo, sendo a mais antiga dinastia continuamente no poder monárquico da Europa, e a segunda mais antiga do mundo, depois da família imperial do Japão, com a linhagem documentada até ao ano 706 ou mesmo antes.

Casamento e descendênciaEditar

Foi filho de Hugo, o Grande[10] (89819 de Junho de 956), duque dos francos e conde de Paris e de Hedervige do Saxe (922 - 965), filha de Henrique I da Germânia (876 - 2 de julho de 936) e de Matilde de Rheingelhein (c. 890 - 14 de março de 968).

Do seu casamento em 970 com Adelaide da Aquitânia[11] (945-1004), filha de Guilherme III da Aquitânia[12] (915 - 3 de abril de 963), conde de Poitiers e duque da Aquitânia e de Adélia da Normandia, nasceram:[13][14]

  1. Gisela de França (969 - c. 1000), casada em 970 com Hugo I de Abbeville (970 -?), conde de Ponthieu e Senhor de Abbeville.
  2. Edwige de França, ou Hadwige (970-1013), casada em 996 com Ranier IV, conde de Hainaut, e depois com o conde Hugo III de Dasbourg.
  3. Roberto II de França "o Piedoso"[15] (972-1031), seu sucessor no trono francês casado por três vezes, a 1ª em 988 com Rosália de Ivrea (937 - 1003), Senhora de Montreuil-sur-Mer, a 2ª em 997 com Berta da Borgonha (970 -?) e a 3 em 1002 com Constança de Arles (c. 986 - Melun, 25 de Julho de 1032), filha de Guilherme I de Arles[16] (953 - 993) e de Adelaide Branca de Anjou (955 - 1026).
  4. Adelaide de França (973-1068)

É relatada a existência de outros filhos, mas a veracidade dessa descendência é discutível.[5] no entanto é possível referir um filho de uma relação com N da Aquitania:

  1. Guzlin, arcebispo de Bourges.

Referências e bibliografiaEditar

Predefinição:Commonscat

  1. Dictionnaire Universel d'Histoire et de Géographie (Bouillet et Chassang)
  2. 2,0 2,1 2,2 The Origins of France: From Clovis to the Capetians 500-1000, Edward James, London: Macmillan, 1982 (ISBN 0312588623)
  3. 3,0 3,1 Les Carolingiens: Une famille qui fit l'Europe, Pierre Riché, Paris: Hachette, 1983. (ISBN 2-012-78551-0)
  4. 4,0 4,1 Histoire du Moyen Âge français: Chronologie commentée 486-1453, Laurent Theis, Paris: Perrin, 1992 (ISBN 2-87027-587-0)
  5. 5,0 5,1 La France au Moyen Âge du Ve au XVe siècle, Claude Gauvard, Paris: PUF, 1996 (ISBN 2-13-054205-0)
  6. Predefinição:Link
  7. Anticipatory Association of the Heir in Early Capetian France, Anthony W. Lewis, The American Historical Review, Vol. 83, N.º 4 (Outubro de 1978), págs 906-927 (em inglês)
  8. Predefinição:Link (a ver igualmente todos os reis da dinastia capetiana)
  9. Predefinição:Link
  10. Predefinição:En Généalogie de Hugues le Grand
  11. Predefinição:Link
  12. Sa généalogie sur le site Medieval Lands
  13. Predefinição:Link, recenseamento de todos os descendentes de Hugo Capeto até aos nossos dias
  14. Predefinição:Link
  15. Genealogia de Roberto II no site FMG (em francês)
  16. A Herança Genética de D. Afonso Henriques, Luiz de Mello Vaz de São Payo, Universidade Moderna, 1ª Edição, Porto, 2002, pág. 284.

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